terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Il cherche.


Até quando nos limitaremos ao materialismo?

Eu quero mais,

eu quero o mundo inteiro,

e ainda acho pouco,

muito pouco.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

I'm a girl and you're a boy


Eu me sento aqui nessa escada, acendo meu cigarro enquanto vejo Teddy cheirar e procurar algum lugar para fazer xixi, eu fico pensando...
É difícil encontrar na vida alguma motivação, é difícil, encontramos muitas obrigações, mas fazer por prazer é tão difícil. E isso vira um ciclo, as vezes saio por que não quero magoar quem me convidou, as vezes ligo por que sei que alguém espera essa ligação, mas se vivesse só por mim, será que seria assim? O problema dessa liberdade é que você se acomoda a não ser cobrado e vai cada vez mais alargando o buraco, seria então esse tipo de obrigação um lapidador de comportamento?! Então eu sou falsamente ativo, sempre lutei pela vida com interação, apesar de me sentir tão bem sozinha, vivo em uma casa antiga com duas tias velhas, um cachorro o Teddy que nesse momento destrói as flores do canteiro da vila, e o Rico, meu gatinho vira lata conveniente. Essa vivencia com minhas tias me fez um pouco mais amável, pessoas de certa idade não atura muito bem escândalos de adolescente irritado, e muito menos filha da putagem acadêmica, elas simplesmente acham que sou eu e por mim que estou assim, não que estejam erradas, mas esses problemas externos não são justificativas, entende? Então era normal que eu chegasse, cumprimentassem, falasse um pouco coisas cabais, sobre novela, tecido de costura, corte de cabelo, tortinha gostosa da Tia Nice, essas coisas, isso me retirava do meu conforto e da minha exclusão social, normalmente depois da minha escola e posterior faculdade, eu entrava direto pro meu quarto e quase não sai de lá, as vezes a noite com meia dúzia de gatos pingados amigos, os quais me faziam beber quase a noite toda, e da minha vida em si, dos meus sentimentos ou problemas pouco sabiam, e eu pouco contava.
Acontece que depois de um tempo, comecei a me envolver com uma pessoa,Lícia, e a ela me entreguei por completo, sabia então das minhas manias, acertava já meus pensamentos, mas tinha uma enorme dificuldade de reciprocidade. E tudo que eu queria era tão simples, e era tão difícil abrir mão de certas coisas também para me agradar, resolvi ir embora então, já que o abrir mão já não estava sendo mais natural, e já incomodava e doía. Meu cigarro acabou, talvez eu volte amanha pra contar mais um pouco de mim...

-bora teddy, vem vem aqui vem...
E seguiu, para sua casa no final da vila
I'm a boy and you're a girl...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Funébre.

(William Adolphe Bouguereau)


Muitos se foram...
Muitos queridos, se foram, e se foram tão cedo.
Rompeste com meus planos, e dilaceraram meu coração.
Não consigo entender essa indesejada.
Talvez por que nunca tenha morrido, eles pra mim, ainda são, e são aquilo que construíram, e nada pode apagar isso.
Ainda posso ouvir as vozes, personificar os vícios de linguagem, as vezes até espero ligações em datas importantes, ainda choro de noite, e sinto vazio quando penso em enquadra-los na atualidade. Um lembrança de viagem, um convite de casamento.
É eles se foram, e o mundo não me ampara, e me dá como única certeza de vida, a morte.
E de fatos eles morreram, e de fato não poderei mas toca-los, nem ouvi-los, nem nesse, nem em outro plano qualquer. A existência se finda na morte e ponto.
E o pior outros se vão, e engraçado com tanta gente pra ir, pq vão os mais queridos?
Morte é morte, mas tem umas que matam pedaços da gente também.
Vida pra mim é interação, vida pra mim é movimento, construção, é sociabilidade, é gente.
E essa ausência marca a morte.
Sei lá, dói...
Nascerão outros, então deus deixa nascer, crescer e procriar pra levar,já é?!
Vou acabar sozinha se continuar nessa freqüência.
Dói.
Essa ausência de cores não os apagam, mas torna essa vida mais preto e branco.



Colorir.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Jogo de cartas marcadas.




Eu ando pelo mundo, e não arrumo contentamaneto.
Eu ando pelo meu mundo, pelo mundo dos outros e não vejo contentamento.
Eu conheço gente, eu sento junto, eu olho pra lá pra cá, conheço lugares, mas sabe aquele contentamento? Eu não tenho.
O mundo não me basta em si, falta muito ainda eu sei, e é tão confortavél pensar isso.
Já que não encotrei aqui, será que no mundo tão grande eu não hei de encontrar?
Eu ando pelo mundo, pelas ruas, páginas de internet, e não me contento.
Não me sento pra reclamar, nem discuto mais politica, podem até me chamar de pessimista, não tenho perseveraça no ser humano, tenho no mundo.Mas mesmo assim ele não me da contentamento.
Só em você eu me limito, meu tempo branda, minha risada se alegra, meu coração acelera, é confortavél, é aconchegante. Me delimito e vejo que no instante eu fico completa.São anos assim, e parece que não vai ter fim, e eu gosto bem assim e consegue me surpreender.Não, não me contento, mas me completo, me irrito, sinto ciumes, coisas mundanas, mas se sou racional, vejo que com você nada será normal, pode até fazer exatamente igual...
Eu ando pelo mundo e não sinto contentamento.
Minha crença pós morte até explica isso, mas deixem eu achar que é amor.
Eu ando pelo mundo, só pra provar que é com você que eu tenho que andar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

tudo que não é meu.


E no meio de tanta gente eu encontrei você

Entre tanta gente chata sem nenhuma graça,

Você veio

E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida
Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo


Eu podia estar sofrendo caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não queeeero, não quero
----------------------x------------------------------------------

‘’todos acham que eu falo demais
e que ando bebendo demais
que essa vida agitada não serve pra nada
andar por aí,bar em bar

dizem até que ando rindo demais
e que conto anedotas demais
que não largo o cigarro
e dirijo meu carro correndo,
chegando no mesmo lugar

e a razão porque vivo esses dias banais

é porque o meu amor por você é imenso
é porque o meu amor por você é tão grande
é porque o meu amor por você é enorme
demais’’

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Filia.


Ah! A gente quer ser tudo, e ter a tranqüilidade de achar que o impossível é super alcançável.(Isso não é um texto de auto ajuda!)
Ah! A gente critica tudo e acha que certo somos nós e o jeito que levamos a vida.
Ah! A gente vive muito, a gente fala muito, a gente ? A gente é tudo.
A gente quer saber tudo, a gente que estudar tudo, a gente quer ler tudo, a gente pensa muito e não pensa nada. Mas a gente? Ah, a gente, a gente corre o mundo.
A gente ri muito, a gente chora muito, a gente aumenta tudo.
E criamos, e brigamos, e xingamos, ah!A gente xinga muito!
A gente?A gente até considera as outras culturas as outras coisas, mas só considera sabe, e reclama da nossa, e as vezes até almejamos outra muito utópica, mas nada tá bom, e se ta é porque nos acomodamos e completamos como algo muito pessimista.Por que nessa Era ou você é boladão curtição total ou você é pessimista.E move, mas não é moinho, por que moinho é cíclico, e roda roda, e não sai, nem muda, a gente muda, a gente fica velho, a gente cria experiência, a gente cresce com os malogros da vida. A gente anda, as vezes pra frente, as vezes pra trás, mas anda.E vê as conseqüências dos atos falhos.
E o corpo? A gente brinca, o corpo é fantástico, que maquina é essa que Deus nos deus, a gente brinca, é prazer ou atividade física, é engorda é emagrecer, é malhar ou sentir prazer.A gente usa, e desusa, a gente dança , pra frente e se alonga.E passa mão, passa língua, passa boca, é gosto, é sentidos, é gozo, e po, é gostoso.
Sei lá, só sei que tenho asas, só sei que meus amigos também tem, só sei que a gente voa junto, só sei que nesse instante a gente quer tudo e não quer nada, só sei que indiscutivelmente essa é a melhor fase da vida. Não há nada, que não se possa concertar, o amor e a morte são inexoráveis, o resto são todos concertáveis.É bom caminhar tranqüilo, é bom querer tudo, e sei lá, é bom trocas informação e melhor ainda conhecer as coisas.Não sou empirista mas vale a pena catucar.Só sei que sei lá, e to indo buscar, alguma coisa, deve estar lá...

domingo, 4 de janeiro de 2009

É de nanã.


Mergulhar, pra aliviar
Ojerizar, pra amar
Telefonar, pra acalmar
Embaraçar, pra ser um só
Livres, pra ficarem juntos.


Corpo, impacto, água, submersão, parada de entrada de oxigênio, bolhinhas, braços, pernas, dança silenciosa, debaixo dágua tudo é mais silencioso, tudo é mais calmo, avançando pro outro lado, braços, pernas, corpo, superficie, ar,água, braços, pernas,mergulho.Estou envolvido por um liquido que parece me abraçar, estou envolvido por um liquido que me lava, me limpa, me alivia.Quando estou aqui em baixo, estou descobrindo paz, mesmo que por alguns instantes, talvez isso seja falta de oxigênio no cérebro também, mas deixem eu pensar que é alivio.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Pathos infantil.


Eu queria uma explicação racional pra entender por que eu tenho essa tal fascinação.
Eu queria mesmo, e olha que às vezes eu me pego pensando muito sobre isso.
Estamos entrando em 2009, e essa paixão já ta ficando antiga.
Se eu não a vejo eu a escuto, todo dia.
Acho que não houve um dia se quer que eu tenha passado sem ter contato com a minha paixão.Desde que a reconheci como tal.
Nos dias cinzas, e olha que o outono as vezes é muito cinzento, nos dias de verão, na primavera, no inverno então.
Caminha sutil comigo, canta em minha alma, não é um ser perfeito, nem necessário, nem contingente, só virou uma paixão, que alojou se no meu peito, e já convive comigo, como uma rotina, o que é mais lindo, é que eu não sou obcecada apenas acontece, eu não penso em manter me em contato, eu apenas procuro como se fizesse parte de mim, tão natural, tão leve.
Minha paixão, não me diz coisas que eu acredito 100%, as vezes a acho ignorante, falando coisas que acha que é de impacto, coisas que acha que entende da vida melhor do que ninguém, coisas que se assemelha a um ser evoluído espiritualmente, pobrezinha dessas letras.
A postura dela é algo que me incomoda, muito, mas eu convivo.
Por que não cai em mim que é uma paixão que já esta virando amor.
Por que ainda não me vi sem, e quando penso, paro, por que é muito idiota acreditar que possuo ela. Ninguém possui, nem ela mesmo, por um instante de criação ela foi de alguém, mas quem se importa com títulos?
É sexy, insanciavél.
Vou parar por aqui antes que eu me deprima, e se assim acontecer minha paixão estará comigo, e se eu ficar feliz, ela também estará comigo, não que isso dependa dela, isso depende apenas de mim, por que ela é minha, é a minha paixão.Com certeza é de outras pessoas também, mas eu valoro muito, por que nesse momento que importa sou eu e a minha paixão.
Nesse momento eu escuto ela, nesse momento eu danço ao som dela, de repente se um dia meu amor fizer uma festa pra mim, haverá livros do Sidney Sheldon, fotos do Simon e The Smiths tocando pra mim. Morrerei feliz,pq nesse momento me sinto completa, nesse momento.Ao som da minha paixão duradoura- The Smiths pra começos e fins.
Não leve o personagem pra cama, pode acabar sendo fatal.
;*


sábado, 27 de dezembro de 2008

Pandora.


-arruma suas malas...anda, vamos embora, arruma...
Quando entro em paginas como essa, encaro como se estivesse entrando em quartos, parei para entrar no meu próprio e vi. Um quarto, pobre, vazio, com pouca luz, uma caixa de quatro paredes, com pouca ou nenhuma circulação de ar, abafado , quente. Sabe quando as energias são tão fortes que movem objetos? Pratos caindo, copos trincando.
A impulsividade me fez pintar quadros, a impulsividade me fez por regatas brancas velhas rasgadas, cabelo semi-preso, franja rala caindo nos olhos, pincel, o pote de tinta todo derramado, agressividade, riscando de um ponto ao outro, gastando o material, sem moderação, sem cálculos.O momento era esse, e só.
Eu não pinto, não sou inteligente, não admiro gente inteligente, não procuro me aprofundar, não procuro crescer, não procuro mostrar me ser superior, não leio, não costuro, não tenho orgulho do meu bairro,não falo francês,nem italiano, nem árabe, muito menos mandarim, não como em restaurantes típicos, não sou cult, não faço faculdade, odeio esse mundo acadêmico, e eu? Eu desisto todo dia. Eu já acordo desistindo, eu ando pensando em desistir, as pessoas riem comigo pelo meu mal humor, e minha falta de ilusão. Eu não me iludo, eu conheço você, eu conheço aquele ali, eu conheço todo mundo, e eu me reservo a conhecer pouco pra não me afogar. Pq se eu bebo, eu bebo demais, demais de você. Então, me convidaram pra ir embora, sem hesitar, eu arrumei minhas malas e fui,fui embora desse quarto. Como um animal que nunca tinha visto o sol, eu fui ver o sol. Nossa recompensa.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

no.


"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"

''Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
tua palavra, tua história
tua verdade fazendo escola
e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
metade de mim
agora é assim
de um lado a poesia o verbo a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
e o fim é belo incerto... depende de como você vê
o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você''

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Sur.


Respirei fundo, entrei em casa, casa perfumada, cores, flores no jarro, bilhetes na cozinha, harmonia. Que a vida é um teatro eu já sabia, e cada instante uma peça ou um musical. Nesses últimos dias o teatro esteve cheio, e o espetáculo era um espontâneo, não gostamos muito de produzir esse tipo mas por recomendação do nosso superior o fizemos. Nosso personagem principal muito querido, esteve de frente pra platéia, fingindo se de nu, fingindo se de sozinho, fingindo se não de forma pejorativa, e sim de forma reservada. Foi um Maximo, todos explodiram o de soluções para vida, de formas, teve gente levantado se dos lugares indo até ele e tocando o.
Teve gente com tintas, sabe deus de onde tiraram, pintando o ator, colorindo o. Via se nos olhos dele que sua profissão era por amor. Mas perceba, o teatro fecha depois da peça, o ator se limpa e vai pra casa, o ator nunca é apreendido sozinho, ator/personagem, sempre. Meu medo é que um dia se perca essa dimensão, e me perca entre personagem e vida, e te perca entre as cortinas, e entre os lençóis. Baby, ele comprou o jornal e veio ver o sol.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ro.

Acendi a minha vela, sentei me na cadeira de madeira escura, a tarde já caia, molhei minha pena no tinteiro, e comecei a rascunhar meu romance.Acendi minha cigarrilha, enquanto pausava pra desenhar na minha cabeça e decodificar em palavras.

Ou

Abri meu caderno de folhas amarelas, peguei uma caneta tinteiro, acendi meu charuto e iniciei meu romance.

Ou

Abri meu notebook, abri minha Box de cigarros enquanto o computador carregava, acendi meu cigarro, respirei fundo, cigarro no cinzeiro, dedos no teclados, dança intensa das palavras , um romance começando.


Por muito tempo eu achei isso tudo bonito, por muito tempo eu acreditei realmente nisso.A mesma essência escrita em tempos diferentes, as coisas não mudam. As coisas sofrem uma falsa mudança,isto é,fingem que mudam, por que a essência da coisa não muda.É um duro ciclo, as vezes vicioso, aqueles que acreditam na eterna mudança, não enxergam isso com clareza.O mundo é cruel, não há poder maior que justifique as ações que não nos fazem bem, só nos mesmo podemos tentar reduzir las e nos confortar com isso, de repente transferido o juízo de valor a algum ser espiritual superior não é assim uma solução.
Que seja, só sei que não acredito na pureza.Mas ela vive por instantes dentro do ser, ilustramos o momento de uma paixão, paixão, na noção primeira é pura.O resto não mais.A idéia de imediato é pura, o resto é construção.E tudo que não é principio, que não é nascimento, é contaminado com idéias externas , e assim se torna impuro.
O romance que nossos personagem começaram a construir, esse ponto, que não leva nenhuma conceituação filosófica, que é apenas uma ejaculação da arte, esse romance, que grande maioria lê, ou já leu alguma vez, é ele o senhor da historia. Seria muita prepotência minha tentar explicar por qualquer via o que é realmente um romance, por isso ofertarei minha rés opinião aqui.
O romance é filho das epopéias nascido no século dezessete sabe se lá com qual contexto histórico( acreditem não é falta de oportunidade de saber é apenas ausência de interesse mesmo), foi um grande palco de transferência da realidade pra algo que fizesse seus leitores caminhar juntos com o enredo pra caminhos fictícios, algo que afastava a dura realidade para um campo de emoção e figuras de linguagem.Foi também momento aonde o eu lírico falava em primeira pessoa, e em uma poesia intimista, contava as doenças da alma, do amor, do ódio e até da morte.Não, não critico isso, não critico o romance alienista, o mal do século, a prostituição do trabalho está e esteve no limite entre romance e vida real.Minha critica única e intensa é ao romancista que nunca romanceou.Como contar algo que nunca viveu, é como mentir. Ai que entra essa liberdade das artes, não bato palma pra coisas poucos delimitadas, me chame do que quiser, mas gosto de seguir a pista na estrada, gosto de saber para onde estou indo, e aonde vai ter o próximo retorno, e gosto principalmente de falar do que sei, falar do que não sei é inventar.E marcar o que eu sei é subjugar, não é síndrome de Sócrates, nem síndrome de Gabriela ( eu nasci assim, vou morrer assim...), é apenas um texto evasivo, vazio, sem coerência, nem meio, nem fim, só pra você perder o seu tempo em me ler, seja você quem for, seja ql for o motivo que te fez chegar aqui, seja você realmente alguém, eu não disputo atenção nem escrevo entrelinhas, siga a luz no final do corredor, eu sou transparente, até demais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Deusdará.

Meia hora olhando pro mesmo ponto, eu uma sala fechada as vezes é muito tempo, muito mesmo, meia hora conversando, as vezes me parece dois minutos.Olhava pra cadeira a minha frente, olhava pros artigos de escritório em cima da mesa, olhava pro telefone.Batucava qualquer ritmo na mesa, fitava os quadros do ministério da saúde, propaganda contra o tabaco, desenhava novas propagandas em minha mente.Espera era inevitável, estava pacificamente calmo, amistosamente esperançoso.Fumaria um cigarro se tivesse coragem.Levantaria da minha cadeira e andaria até a janela, se, somente se, tivesse coragem.Mas no estado que eu me encontrava, só de olhar e pensar o mundo já era um ato extremo de coragem, então melhor não abusar muito do meu limite.Quinze minutos a mais, estava na mesma posição inicial, só que com a cabeça mais inclinada pra porta, em uma tentativa ridícula de ouvir os passos dos médicos. Hahaha sou deprimente.E eu resolvi procurar um especialista.
Meu medico tinha mais ou menos a minha idade, só trabalhava de manha no hospital, tinha duas filhas gêmeas e umas estrelas tatuadas no corpo, engraçado quando se faz tatuagens na adolescência depois se fica velho e aquele desenho já não tem mais nada a ver com você, sei disso porque tenho propensão a virar amigo dos meus médicos, e ele me contou sobre suas tatuagens e me mostrou.
Bem quarenta e cinco minutos é muita coisa pro um raio de um exame, levantei me e caminhei devagarzinho para saída, como uma tentativa mesmo que inútil de que meu silencio pudesse atrasar mais um pouco o medico.Deu certo.
Desci os 17 andares, caminhei pro estacionamento, peguei meu carro, peguei transito, ela me ligou, voz cansada, um pouco de humor ainda vivia eu podia sentir, comprei algumas flores.
Passei no apartamento dela, deixei lá, ainda fui perturbado com ela falando que devia estar morrendo mesmo pra eu, levar flores, rimos juntos.Fui me embora, sobre o exame prometi que pegaria, que não estava pronto.Médico me ligou, não quis atender, pela manha iria lá novamente, se somente se, tivesse coragem para repassar o resultado, ou quem sabe para aceitá-lo.
Durante toda minha vida, eu nunca tive medo de muitas coisas, por que acho que o que fica é o que se vive, com intensidade, com o corpo todo, de cabeça, o que morre, não foi vivido, que seja, que vá.O que ficou, ficou pra sempre, enquanto minha memória assim, funcionar.

Três semanas depois, já sabíamos o resultado, ela piorara de uma forma drástica, estava na cti, fui visita la, para dar noticias de algumas coisas novas do trabalho, estava pálida, mas ainda ria, então pra mim, vivia.Sabia melhor do que ninguém que era muito mais psicológico do que outra coisa.

Dois dias, telefone toca, a doida fugira do hospital, estava na minha portaria, fomos beber e ver o mar.


Três dias depois, recaída.Morte.

Não sei lidar com morte, nunca soube, só sei que subitamente, faltou me o chão, faltou me ar.Meu corpo só pedia algo sólido pra se encostar, mas nada era sólido, nada era forte suficientemente pra agüentar toda aquela dor. Todo aquele peso, de dentro e mim.Não havia mais vida, não havia mais nada.Enquanto havia vida, haveria oportunidades de coisas acontecerem, mas e agora?De fato a morte é inexorável, não queria mais estar ali.Queria um coma induzido, por alguns meses, uma amnésia repentina, qualquer tipo de covardia como solução pra mim.
Tive que tomar todos os procedimentos, de caixão, funerária, avisa os mais próximos.Tive que aprender a apreender sem emoção.Não acreditava naquele corpo mais como apenas corpo,morto, não mais vida, palavras, sorrisos, risadas, choros, gritos, aquele corpo já não tinha mais valor algum.Eu a enterrei no melhor cemitério, flores, e rapidez, não queria ficar vivendo aquilo por muito tempo.Algo de valor morreu em mim.Alguma porcentagem do meu coração tinha morrido, haveria de fazer uma reconstituição de algum átrio, pra que vivesse por mais tempo, haveria de continuar a vida.Mas sem muita cor.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

The last but not least.




Temporarily, don´t matter.
Cause, the love is only that comes back for the fight.
And I?
I have got nothing, To offer you.

sábado, 27 de setembro de 2008

Cristal.


Exponho me muito ao escrever.
Exponho me mesmo não sendo o que pareço ser.
Exponho me a ser o que você interpretar.
È um risco muito grande escrever.
Muito grande, pois não sou o que eu escrevo, não acredito, não sigo, não tenciono nada, eu só escrevo.
Como um peixe que morre pela boca, eu poeta morre pelas palavras.
Sou julgada, só de ser lida.Coisificada.Cristalizada.
Exponho me. Dou minha cara à tapa.
Mas gosto mesmo é do ostracismo.Me fechar em uma ostra, quente e confortável. Tudo que você lê você tenta trazer para seu mundo particular.Como se eu escrevesse pra você, como se minha literatura fosse particular.Mas não é.Eu faço isso constantemente.
Eu escrevo para desafogar meus pensamentos, eu invento...E tudo segue uma linha não coerente em qualquer compreensão mas o suficiente para acalmar me.
Eu escrevo eu invento, eu não suporto rótulos, eu quero a paz do lirismos que liberte.
Eu penso todo dia acabar com esse blog.
Todo dia.
Mas não me calam as palavras.Elas não me fogem mais. É só sentar de frente pro Word que elas chovem à litros.Sem coerência sem intenção, palavras a penas.
Mas eu muito me exponho e não quero mais essa vida.
Covarde demais para matar me, covarde demais para assumir responsabilidades.
Aí, na certeza que já foram os piores dias da minha vida, eu aguardo.
Ela um dia virá....ah coragem.Que rude contraste.
Estou saindo de férias.Por tempo indeterminado.
Vou para uma estação de trem vê se resgato mais alguém...

Voice.


Estou completa.
[estou vazia]
Quero você
[e sua vizinha]
Estou apaixonada
[não quero ficar sozinha]
Amo você
[ é tudo mentira]
Vou beber para esquecer
[ é uma alternativa]
Vou fumar pra morrer
[é mais rápido que Ritalina]
Me ajuda viver
[só não casa com a Nina]

Bilhetinho.


''Ah meu bem, não houve mais promessas, não tocamos nos cacos de vidros, secamos nossas lágrimas, compartilhamos da dor, mesmo que inconsciente.

Ah meu bem, abracei lher apertado.Fiz carinho, falei baixinho.

Implorei em silencio a recipricidade, recebi em seus braços.Amei cada segundo com muita intensidade, por mais que esse amor não exista.Fui embora sem me despedir.Voltei sem avisar.Você estava inerte não pode nem chorar.Você sentiu como eu, agora calei suas palavras.Não eu de agora, eu de antes.Não eu, mas alguém como eu.Alguém que por um tempo perdeu o controle , alguém que por um tempo não pensou não calculou.Mas tomou.E aprendeu.Não mais falhar, ninguém te convém, me dá a mão e vem comigo.Eu conheço esse caminho.''

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Misantropia.


Estranho em plena primavera o tempo fechar de tal maneira.Acabou interferindo na minha rotina de ir escrever no parque depois do trabalho, enquanto fumava meu cigarro e tomava meu café expresso pra viagem.Mentira, eu só fui comprar um maço de cigarro na esquina e aproveitar pra ver se tinha chegado a areia do gato,estava um puta vento, e tive que me abaixar todo pra acender meu cigarro.São coisas que o vicio nos faz ....fazer?(...)
Mas de fato eu queria escrever,porém no Brasil ninguém faz isso em um parque, e sim no seu aconchegante apartamento na zona sul.Eu queria escrever, sim eu queria, sobre o que ainda não sei, pois a maldita inspiração dos parques ingleses não me vinha nesse momento.Mas da onde eu tirava a inspiração ou de quem eu a tirava? De ninguém.Escolha minha, eu sou do partido do coração partido.Minha narração em primeira pessoa tem a ver com isso, de certo tempo pra cá, eu decidi por mim todo o meu caminho, todas as escolhas seriam agora de total responsabilidade minha.Por isso me afastei dos corações sensíveis e dependentes.Não queria mais influenciar ninguém nem ser influenciado.A partir desse marco Antonio , seria para Antonio e Antonio em si.Minha narrativa em seus olhos pode parecer parcial, soberbo, mas queridos, convenhamos eu escolho reproduzir fatidicamente minha vida, sem aumenta la se quer em um tom, pois não haveria nada que me fizesse gosta de me vangloriar para as outras pessoas desse trágico mundo.Vangloriar me nesse mundo não é possível, pois eu sou/ faço parte dele, e nele nada brilha , nele nada aflora, ele é sujo, ímpio, e nos da direito a muitas escolhas, destacar esse mundo é destacar o que não merece graça.

Truffaut e Godard andavam meio niilistas, um pouco de tédio também os cercavam, os meus vizinhos cachorros mudaram pra um bairro mais rico que a zona sul, e os deixaram acinzentados.Tenho certeza que eles aceitariam um cigarro se soubesse como utilizar um.Meus felinos mais chegados que os humanos.Isso também foi uma escolha.Um escolha de findar com minhas amizades , ou o que a maioria entende por isso, já que não consegui manter distantes suficiente, nem próximas satisfatoriamente.E sempre sai uma parte a reclamar.No momento, melhor assim.


Mas os insurgentes não descansam, e não satisfeitos com a minha condição tentam freqüentemente muda lá.E digo, por escolha eu bem que gosto.Afinal com toda a minha ma fé,e má fama, lhes pergunto, quem resistiria a uma bela morena, nua na sua cama?
É queridos, não resisti, e ela sobrevive minhas arrogâncias e afastamentos, Bianca, gostosa, inteligente, sexualmente indispensável.Nem o numero do meu celular a pobrezinha tinha.Sorte que não passo mais de um ano viajando, e o porteiro a deixa entrar com certa facilidade, com aqueles seios até Descartes perderia a razão, e não haveria mais duvida nenhuma.Parando de destruir a filosofia, Bianca tentou destruir nosso pacto, mas esconjurei algumas maldiçoes.Mentira, só falei que não ia mais permitir que ela se despisse na minha frente.Mentira, se ela o fizesse eu a comeria novamente, e quantas vezes desse.Isso é verdade, mas ela não poderia saber, por que a danada é oportunista, e ia me prender em suas pernas.

Consegui o cigarro e areia, e chegar em casa molhado pela chuva.Cigarro molhado, areia molhada, e boa trepada. Sim, Bianca tava lá em casa, sim nua na minha cama, sim ...

Minhas filosofias não tinham ido por ralo abaixo, eu me contento com as minhas certezas, que não são absolutas por circunstancias mas me preenchem a alma,apesar dos paradoxos existenciais eu ainda possuo alguma coerência.E vivo de acordo com as minhas escolhas.E vivo bem.Obrigado.Boa noite e boa sorte.... Fumei meu ultimo cigarro, de comemoração pelo gozo.











Parceria Rafaela Nobrega e Ana Flávia Eccard.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Philosophie de vie.

(Bouguereau)
Eu não tenho uma filosofia de vida.
Mesmo sabendo que não ter uma filosofia de vida é ter uma.
A filosofia do não ter.
Mas vamos fingir então que isso não exista.
Vamos então caminhar pensando que eu não tenho uma filosofia de vida.
Algum ponto tem que ser fixo se não,eu não consigo andar, piso em ovos...
Na verdade a gente sabe que constantemente a vida é assim, cada escolha uma renuncia.Escolha o tempo todo.
Mas pessoas como eu, que não possuem filosofia de vida vivem cada dia não sendo o mesmo de ontem.
Por que se eu tivesse uma...eu viveria cultuando a minha filosofia, regando, dando a o que comer e coisa e tal.
A filosofia de vida pode ser entendida como uma hiperbólica megalomaníaca de objetivo de vida.Exemplo se minha filosofia de vida é viver para trabalhar e ser muito bom no que eu faço, é meu objetivo, é viver para que aquilo se realize, e incondicionalmente fazer tudo aquilo que me leve a efetivar minha filosofia/objetivo.
Contudo, eu não tenho uma filosofia de vida.
Não tenho um grande objetivo.
Sabem por que queridos?
Por que eu mudo muito.
Por que a única permanência em mim é a mudança.
''Permanentemente mutável.''
Mas sendo algo permanente como pode ser mutável,? A permanência é a exceção.Tentando assim fazer da minha não filosofia de vida algo hermeticamente concisa, para não haver duvidas poéticas.
Retomando a minha ausência de filosofia de vida devido a minha mutabilidade exponho me as criticas de concluir que sou um nada.
Um nada que muda.
Um nada que se move.
Um nada que sente.Ênfase no sentir, por que só sei que existo quando me pego sentindo por mais que os sentidos sejam falhos,mas eles me dão retorno,a razão é uma mulher ingrata.Ela é agressiva, impiedosa, fria, calculista e forte.É ela que me joga com toda força ao chão.
Amigos seu eu tivesse uma filosofia de vida ela seria libertadora.
Libertadora não no sentindo de deliberada,do oba-oba, não, uma filosofia da escolha mas escolha com responsabilidade por que você não está sozinho no mundo, você tem amiguinhos na sua volta que possuem coração, sentimentos, vida.
Ela não seria propedêutica como a de Aristóteles,não seria hermética como de Kant, nem poética como de Bachelard e nada tão forte e tão duro quanto a de Sartre.
Ela seria uma filosofia sua.
Com seus conceitos, suas formas.É sua vida e a minha também.
É muito mais simples do que se pensa, mas é difícil ser simples.Cansei da filosofia que não é libertação.Cansei da filosofia nominativa...quero vastos campos verdes meus, seus só para nós.”Vamos descobrir tudo de novo”.